“Precisamos de um logótipo novo.” É um pedido muito comum. E às vezes é mesmo isso. Mas, muitas vezes, o logótipo é só o sítio onde o desconforto aparece primeiro. Mudá-lo sem perceber o resto é pintar a fachada de uma casa com infiltrações.
Um logótipo é a assinatura da marca. A marca é tudo o resto: o que prometes, como falas, o que as pessoas sentem quando se cruzam contigo. Antes de mexeres na assinatura, vale a pena olhar para o que está por trás.
Seis sinais de que o problema não é o logótipo
- Ninguém consegue explicar o que fazes numa frase. Nem tu. Se a mensagem não está clara, um símbolo novo não a vai clarificar.
- Falas para toda a gente. Quando o público é “qualquer pessoa”, a comunicação fica genérica e ninguém se sente chamado. Isso resolve-se com posicionamento, não com cores.
- Cada sítio diz uma coisa diferente. O Instagram tem um tom, o site outro, o cartão de visita um terceiro. O problema é coerência, e um logótipo novo só acrescenta mais uma versão.
- Os clientes escolhem-te pelo preço. Quando a única diferença percebida é o preço, falta mostrar o valor: o que fazes de diferente, porque é que isso importa e quem já confia em ti.
- A concorrência parece igual a ti. Se trocares o nome de dois concorrentes e ninguém der pela diferença, o que falta é uma ideia própria, não um desenho novo.
- A comunicação parou no tempo, não o símbolo. Às vezes o logótipo está bom, mas as fotografias, os textos e os materiais estão datados. Atualizar a forma como comunicas pode ser suficiente.
Se te reconheceste em dois ou mais, começa pela estratégia. O logótipo vem depois, e vem melhor.
E quando é mesmo o logótipo?
Há casos em que mudar faz todo o sentido:
- Não funciona em tamanho pequeno. Desaparece no ícone do Instagram, no favicon do site ou num bordado.
- Já não representa o que és. O negócio cresceu, mudou de público ou de serviços, e o símbolo ficou preso à versão antiga.
- Foi feito à pressa. Um logótipo criado sem pensar na marca, só para “ter qualquer coisa”, costuma pedir para ser refeito quando o negócio ganha forma.
- Confunde-se com outro. Se é parecido com o de outra marca da tua área, estás a trabalhar para os outros.
Mudar não é recomeçar do zero
Uma marca com anos de vida tem reconhecimento. Mudar tudo de uma vez pode deitar isso fora. Muitas vezes, o caminho certo é uma evolução: manter o que as pessoas já reconhecem, como a cor, uma forma ou o nome, e corrigir o que está a falhar.
E quando há mudança, conta-a. Uma marca que explica porque mudou ganha a atenção que um logótipo novo, sozinho, não consegue ganhar.
O que perguntar antes de avançar
- O que queremos que as pessoas sintam quando nos veem?
- O que nos distingue de quem faz o mesmo que nós?
- Onde é que a marca vai viver mais: no telemóvel, na loja, no produto, num ecrã?
- O que deve ficar, porque já é nosso?
Com estas respostas, o logótipo deixa de ser um gosto pessoal e passa a ser uma decisão.
Não sabes se é o logótipo ou a marca?
Traz o que tens e olhamos para isso contigo, sem compromisso. Às vezes a resposta é “muda tudo”. Outras vezes é “muda só isto”. O café é por nossa conta.